quarta-feira, janeiro 19, 2005

Ditados populares, poesia, acção

A nossa atitude perante a vida e a sobrevivência é resultado de uma cultura que herdámos dos nossos antepassados, misturada com as nossas experiências pessoais e com as experiências que julgamos perceber nos que nos rodeiam. A chamada cultura popular produz ditados, aforismos e reflexões simples que condicionam a nossa acção. Damos como certo aquilo que foi repetido por quem viveu antes de nós. Muitas vezes torcemos o ditado popular até caber naquilo a que chamamos razão. Estou a lembrar-me do famoso "se não podes vencê-los junta-te a eles". Que raio de caldo cultural é este que apela à desistência como forma de sobrevivência? Não seria melhor termos um ditado que afirmasse "se achas que tens razão, não desistas"?
Afinal, quem é que transforma lugares comuns em sabedoria popular? A cultura dominante? A nossa falta de sentido crítico? E quem é que nos educou para não termos sentido crítico?
Já repararam que este ditado apela ao abandono da acção? Ao deixar ir na onda dominante?
Gostei das quadras do Aleixo que a Paula usou como ilustração de alguém emocionalmente inteligente. Acrescento mais uma, atambém dele, apenas para contrariar o ditado que atrás referi:

Qe importa perder a vida
Em luta contra a traição
Se a razão mesmo vencida
Não deixa de ser razão