quinta-feira, janeiro 06, 2005

Que fazer quando não entendemos o nosso dicionário?

Que bom ver um projecto a crescer! Ainda por cima com a qualidade que os vossos escritos proporcionam.
A questão da linguagem é muito interessante e aparece colocada nos textos da Paula e da Dora.
De facto, no convívio diário e plural com os que nos rodeiam, experimentamos várias vezes a sensação de incompreensão. Como se nos exprimíssemos em linguagem diferente. Se é verdade que cada um de nós tem um descodificador próprio, não é menos verdade que no nosso dia a dia nos esquecemos dele demasiadas vezes. Tornando-nos ininteligíveis mesmo para nós próprios.Sentimos e ficamos confortáveis por que sabemos existir. Mas logo surge a angústia de não perceber para quê. Voltamos a ser Sísifo a carregar inultilmente a pedra pela montanha acima e vamo-nos entretendo na invenção dos dicionários dos outros, para que possamos olhá-los confortavelmente.
No fundo, não queremos descobrir os outros mas apenas ter deles uma imagem que se enquadre na segurança das nossas certezas.
Uma nota final. Cara Isabel, "blogar", andar de bicicleta ou arriscar viver são coisas que fazem parte desta deliciosa aventura que, como bem diz a Paula, até nos arrepia! Não acham?