terça-feira, fevereiro 22, 2005

Duas noites

Só hoje, terça-feira, me é possível fazer o balanço de duas noites passadas. Utilizando a cronologia como método comecemos pela noite do jantar. Foi muito agradável estar rodeado de gente que falou essencialmente de duas coisas: de tudo e de nada! Ninguém colocou em cima da mesa, para discussão, ideias tiradas de manuais de auto-ajuda. Fomos falando, discutindo, interrompendo, lendo, bebendo e comendo. As nossas capacidades e incapacidades de ler os outros estiveram lá. Despimo-nos na medida em que achámos que o podiamos fazer. Ficámos a conhecermo-nos melhor e até discutimos ideias defendidas por quem não esteve. Por mim, aprendi imenso. E lá se foi a ideia que repetimos vezes sem conta: ninguém fala com ninguém e a solidão é uma generalidade. Pessoalmente sinto-me reconfortado por ter contribuído, modestamente, com a criação deste espaço para que possamos olhar para a realidade com umas lentes menos riscadas.
Noite de domingo. Expectativa, nervosismo e algum sono. No final tudo correu relativamente bem, na minha opinião. O meu partido atingiu quase todos os objectivos que se propunha. Mas não deixei de ficar preocupado com a dimensão da vitória eleitoral do partido vencedor. Desculpem lá mas os "absolutismos" assustam-me um pouco e a frase, dita por um homem de low profile, "O governo não vai ser feito pela comunicação social nem na comunicação social. Habituem-se!", não contribuiu em nada para me tranquilizar. Principalmente o "habituem-se!" dito de dedo ameaçadoramente esticado. Será que as alforrecas quando não precisam de se adaptar se tornam agressivas?