segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Tanta coisa...

Estou como a Dora. Depois de ler os últimos "posts" apeteceu-me escrever sobre um turbilhão de ideias que, de forma avassaladora, me invadiram o espaço pensante. Como não há espaço para debitar tantas ideias num só "post" optei por abordar tema a tema.
Antes de começar a análise crítica do último texto do Anto é preciso clarificar pelo menos um conceito. O que é a felicidade? Será um estado de permanente bem-estar? Ou será um estado de pemanente vígilia que nos permite escolher entre vários caminhos, sabendo que a opção por um implica o abandono do outro? Se optarmos por esta segunda hipótese teremos de acrescentar que não são permitidas lamúrias após a escolha.
Neste mundo que conhecemos parece-me que o conceito de felicidade passa por querer ter "sol na eira e chuva no nabal". E sendo assim, claro que não há ninguém feliz. Ora se não há ninguém feliz a felicidade não existe, logo o conceito enferma de um terrível vício: a vacuidade.
Eu prefiro entender a "felicidade" de outra maneira. Todos os dias optamos e sempre pelo que julgamos melhor em cada momento. Ao optar temos de ser capazes de investir seriamente e sem reservas na opção escolhida, resistindo à tentação de comparar a realidade escolhida com aquela que não escolhemos. Claro que implica estar em permanente estado de vigília, sem qualquer filtro que implique alienação, ou seja com um profundo auto-conhecimento que se obtém a partir dos outros.
Talvez fazendo um "boneco" eu consigia fazer-me entender melhor. Tenho 44 anos, trabalho há 25 e continuo a viver da solidariedade alheia, não tenho nenhum talento especial que me destaque da mediocridade, sou um pai que se limita a ser eficaz mas sem grandes rasgos e, na maior parte dos dias, tenho sérias dificuldades em olhar-me ao espelho. Pois meu caro Anto cá estou eu a responder ao seu desafio, de braço levantado afirmando a minha felicidade. E sabe porquê? Porque os outros não me vêem assim!