sexta-feira, março 04, 2005

O Malhado

Março é o mês dos burros. (Não sei se a Ciência actual atesta e confirma esta verdade) . Também não sei porquê. Nem me apetece discutir. É daquelas coisas que oiço há muito, sobretudo em certos meios... em vias de extinção : os meios e o animal, claro!
Sempre tive medo de animais de grande porte. Não se riam, o burro para mim é um animal de grande porte, embora não tenha a estatura de uma mula ou de um cavalo...
Quando, há muitos anos montei num burro e fiz , durante o inverno (rodeada de gêlo por todos os lados), uma viagem do Osendo ao Soito, por caminhos que só homens e equídeos conheciam (nesse Portugal desconhecido) senti, mais do que pensei (devido à idade), que o meu mundo balançando cadenciadamente iria terminar a qualquer momento, numa qualquer derrapagem de pata, na falta de terreno em ravina invisível, eu sei lá... imaginem: Escanchada em cima dele, toda eu tremia, qual teste cardíaco levado ao extremo, imaginando-me a dar a volta completa, como se fosse um sino a tocar a rebate!
É claro que cheguei ao destino sem nunca cair e desde então quando vejo ou associo este animal a alguma circunstância, a imagem emocional que sinto é de respeito e admiração., quem sabe, até de alguma ternura. As peripécias da viagem misturam-se com as emoções que senti mas não deixam de poder ser consideradas , no mínimo, como uma aventura!
Aquele animal nunca desistiu perante obstáculos incríveis! E quando lhe apeteceu parar, parou! E não houve arte que o demovesse, até que lhe desse vontade de começar a andar de novo... e o dia a passar... Zurrou quando menos se esperava... Assustou-se com umas lebres aqui e ali, que se atravessaram no caminho. Virou-se ao contrário e começou a andar no sentido oposto.. a andar, não! a correr... Se é que os burros correm... enfim, só faltou deitar-se a dormir, para desespero do meu avô, que na altura já não tinha nem idade, nem paciência para birras.
Tropeçou vezes sem conta, que os caminhos eram de serra, sem falar nas derrapagens no gelo... e só deu ouvidos à voz de comando do meu avô, quando muito bem lhe apeteceu. Ainda hoje guardo na memória a voz dele, meiguinha e dócil a pedir ao Malhado para se mexer depois de vários gritos sem resultado... Que isto de comunicar tem muito que se lhe diga, especialmente com burros.
Certo, certo é que eu estou aqui a contar a história.Ou seja: Objectivo cumprido! ( O do Malhado).
E é com alegria que descubro através dos noticiários e de leituras de jornais que crianças muito especiais estão a usufruir dos dotes também especiais destes animais, que até têm direito a ter um mês deles durante o ano.
Não me importo nadinha de dizer,para mim mesma, de vez em quando, a pensar no Malhado, que de "burro e de louco" todos temos um pouco." Sabem lá o que isso me deixa aliviada!!!
Façam o favor de ser felizes no mês d............................e Março!!!!