terça-feira, março 21, 2006

A sombra da sombra

Só sei que o tempo passa. Não sei por onde. Pelas ruas. Da amargura, parece-me. Os limões caem e a chuva apodrece. Ácida e acutilante. Cintilantes só as estrelas. De cinema. No escuro sem pestanejar choro sem saber a sal. Sem saber que já durmo. Acordo sem me lembrar de rir. Rio. Mar. Ondas. Mergulho no sono. Outra vez. Sonho de uma noite qualquer. Sózinha comigo. O ar penetra em mim em estado líquido. Evaporo e perco a sombra no sonho. A poça no chão é a sombra. Materializei e mergulho na sombra. Nado. Morto. Não estou só. Há uma sombra. De dúvida.

Paula
1997